Luiz Gomes: 'Pacote de mudanças nas regras e conquista de JR Wright'

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da poker: O pacote de mudanças nas regras do futebol, anunciado essa semana pela Fifa, é uma conquista pessoal de um personagem marcante na história recente do futebol brasileiro: o ex-árbitro e comentarista de arbitragem José Roberto Wright, durante anos também colunista deste LANCE!. Faz tempo que Wright defende, e por isso trabalhou intensamente junto à Fifa, que o lateral deixe de ser cobrado com arremessos de mão e passe a ser batido com os pés. No seu entender, isso vai dar mais dinamismo ao jogo, aumentar o potencial ofensivo das equipes, proporcionar mais chances de gol, afinal o objetivo maior do esporte.

Há quem goste – como esse colunista – e os que repudiam veementemente a ideia. Provocar polêmicas, contudo, nunca foi problema para JR Wright, durante toda uma vida dedicada ao futebol. Em 1982, na final da Taça Guanabara – que à época era uma taça de verdade – entrou em campo com um microfone escondido no uniforme para gravar o diálogo com os jogadores, parte de uma matéria do Esporte Espetacular, da TV Globo. Nem o Flamengo, que venceu por 1 a 0, nem o Vasco, ninguém gostou da “brincadeira”. O Cruz-Maltino denunciou o árbitro ao TJD-RJ e o Rubro-Negro processou a Globo exigindo pagamento de direito de imagem pelo uso de seus jogadores. Wright foi julgado, pegou 40 dias de gancho mas não chegou a cumprir, já que recorreu ao STJD da CBF e reverteu a sentença. “Ganhei de 7 a 0, por unanimidade. Não havia nada na lei que impedisse o uso do microfone”, vangloria-se.

Três anos depois, apitou a final do Carioca de 1985 e teve de sair do Maracanã escoltado pela polícia, perseguido pelos capangas do bicheiro e patrono do Bangu, o todo poderoso Castor de Andrade que reclamava de um pênalti não marcado no minuto final do jogo, vencido pelo Fluminense por 2 a 1. Nada, porém, se compara aquele Flamengo x Atlético-MG da Copa Libertadores de 1981, até hoje considerado um dos jogos mais polêmicos de todos os tempos no futebol mundial.

Na partida decisiva – os dois times terminaram empatados na fase de grupos – nada menos do que cinco jogadores do Galo foram expulsos. E não estamos falando de jogadores quaisquer, mas de craques da estatura de Reinaldo, Éder e Palhinha, além de Chicão e Osmar Guarnelli. O juiz teve de encerrar o jogo antes do fim já que o clube mineiro ficou sem o número mínimo de jogadores em campo. O Flamengo de Zico venceu, acabou por conquistar a América pela primeira vez naquele ano e Wright caiu em desgraça junto a fanática torcida atleticana que jamais o perdoou. Mas e daí?

“Eu faria tudo igualzinho. Não mudaria nada. Se você ver, o Reinaldo vai por trás e derruba o Zico intencionalmente. Se eu não tivesse avisado antes que seria cartão vermelho, o amarelo até poderia segurar. Mas naquela altura do jogo não tinha mais como. Os jogadores não estavam me respeitando, estavam cheios de reclamações”, disse, em uma entrevista ao mesmo Esporte Espetacular, em abril do ano passado, revendo a partida quase 40 anos depois.

As polêmicas – das quais ele nunca fugiu, sempre assumindo responsabilidade pelos seus atos, certos ou errados – não diminuíram o reconhecimento internacional pelo trabalho de José Roberto Wright. Em 1990 ele foi considerado o melhor juiz da Copa da Itália, e eleito, no mesmo ano, o melhor árbitro do mundo pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS). No seu currículo constam duas finais de Libertadores e oito finais de Brasileirão, quando havia decisões, antes da era dos pontos corridos.

A mudança na cobrança do lateral, tão defendida por Wright nas comissões da Fifa, será testada agora na Holanda junto com outras quatro medidas – a permissão de dois toques de um mesmo jogador na cobrança de faltas; o número ilimitado de substituições; a paralisação do cronômetro quando a bola não estiver rolando; e a suspensão temporária e não mais expulsão de um jogador advertido com o segundo cartão amarelo. Aos 75 anos, depois de passar por um tratamento pioneiro para controle do Mal de Parkinson através de um chip instalado no cérebro, José Roberto Wright certamente tem muito a comemorar. E é uma questão de justiça dar a Wright o que é de Wright.

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